Via-crúcis para conseguir visitar presos no Ceresp Gameleira

sábado, 7 de abril de 20120 comentários

Mães e esposas de detentos acampam na porta da unidade 48h antes do encontro, para ficar mais tempo com parente


Cristiano Couto

Presos
Mulheres e até crianças enfrentam frio e falta de banheiro para serem as primeiras da fila

Com dois dias de antecedência, elas chegam de ônibus, vindas de bairros da periferia de Belo Horizonte e da região metropolitana. Nas costas, carregam mochilas abarrotadas, trazendo lonas, barracas, colchonetes, potes de plástico com comida e garrafas de refrigerante. O abrigo improvisado, montado na calçada, serve para esperar por mais um dia de visita no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, na região Oeste da capital.


As histórias se multiplicam nas longas filas. Mães e mulheres de detentos da unidade prisional enfrentam uma verdadeira via-crúcis para ver os parentes nos encontros programados, que acontecem de 15 em 15 dias, aos sábados e domingos. A chegada antecipada, que envolve uma série de sacrifícios, serve para garantir mais tempo com filhos e maridos, pois o acesso acontece por ordem de chegada.


Não bastasse a jornada de 48 horas à espera da visita, sem banheiro e passando frio, essas mulheres, que muitas vezes estão acompanhadas de crianças, reclamam de maus-tratos que seriam cometidos pelos agentes penitenciários. Elas alegam que o desrespeito é frequente, sempre acompanhado de ameaças e ofensas. “Eles nos xingam e falam mal dos nossos maridos”, conta a esposa de um dos detentos, que pede anonimato, com medo de que o homem sofra represálias na cadeia.


Segundo os parentes, a entrada no Ceresp é lenta e prejudica as visitas. “Eles (os agentes) nos revistam e nos deixam mofando no pátio, à espera dos nossos companheiros. Às vezes, ficamos mais de uma hora aguardando para vê-los”, conta outra mulher. As visitas terminam às 16h, mas, segundo ela, por volta das 15h30 os agentes começam a “dispensar” as mulheres. “Faltando meia hora, eles passam a gritar que ‘já deu, já deu’”, conta.


As condições da unidade prisional também são alvo de reclamações constantes dos presos, revelam as mulheres. Uma das queixas é a superlotação: o número atual de internos é quase duas vezes e meia a capacidade do Ceresp. Hoje, existem 970 detentos no centro, que deveria abrigar, no máximo, 404, conforme a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).


“Na cela do meu marido há apenas seis colchões para 15 pessoas. Elas precisam revezar ou dormir, às vezes, duas no mesmo espaço”, diz uma senhora, mãe de um dos acautelados. Segundo ela, comida azeda e estragada já foram servidas aos homens.


De acordo com a Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), o acesso à unidade é garantido a todas as visitantes cadastradas. Quanto ao atraso na entrada, foi informado que a vistoria precisa ser feita de forma detalhada para garantir a segurança. Há previsão, inclusive, para a compra de novos aparelhos de “body scan” –um tipo de detector de metais– para os presídios da região metropolitana.


Segundo a Seds, a superlotação estaria sendo resolvida. A unidade é um centro de remanejamento e, por isso, tem alta rotatividade. Todos os meses, em média, 350 presos deixam o local. Como não houve entrada nas últimas semanas, o problema do excesso de internos deve ser equacionado em breve, informou a secretaria, que ainda garantiu que a falta de colchões não procede, assim como a denúncia de comida estragada. Com relação à queixa sobre o comportamento dos agentes, foi informado que nenhuma reclamação formal foi feita à Suapi.

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