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Conflito entre as duas torcidas teria sido combinada pela internet
Termina nesta quarta-feira (29) o período para cerca de cem integrantes das torcidas organizadas Esquadrão Atleticano e Pavilhão Independente participarem da doação de sangue pela campanha "Torcida Solidária". No último dia 16, diretores das duas agremiações pediram ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que a medida educativa que seria aplicada, em função de uma briga entre seus integrantes, fosse trocada pela doação de sangue ao Hemominas, no período de 16 a 29 deste mês.
No último dia 7, torcedores do Atlético e do Cruzeiro se envolveram em uma briga no bairro Padre Eustáquio, região Noroeste de Belo Horizonte. Um inquérito penal foi instaurado para apurar o crime. Já a Promotoria de Defesa do Consumidor, com base no "Estatuto do Torcedor", se reuniu com membros das duas torcidas para explicar as responsabiliades objetivas e a aplicação de medidas educativas.
De acordo com o promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, Edson Antenor Lima Paula, os envolvidos na confusão ficariam proibidos de entrar em qualquer estádio portando bandeiras, instrumentos musicais, faixas de qualquer natureza que possam identificar as torcidas. O intuito da medida é, desta maneira, impedir que os torcedores possam fomentar, mesmo que de forma indireta, algum tipo de violência. Ela é válida até mesmo para estádios fora de Minas Gerais.
Na reunião, que contou também com representantes das polícias Civil e Militar e da Federação Mineira de Futebol (FMF), o presidente da Esquadrão Atleticano, Moisés Muzzi Martins, propôs ao promotor que a medida fosse trocada por uma ação voluntária de doação de sangue. A ideia recebeu o apoio do diretor da Pavilhão Independente, Leonardo Aguiar Muniz, foi acordada com o Ministério Público e a decisão registrada em ata.
Segundo o promotor Edson Antenor, o MPMG estabeleceu que pelo menos 50 representantes de cada uma das torcidas envolvidas na confusão comparecessem voluntariamente à Hemominas para doar sangue, sem prévia indicação de nomes. O calendário de doações foi intercalado entre as torcidas para evitar possíveis atritos.
Em nota, o Ministério Público esclareceu que "a doação de sangue não se trata de substituição de sanção criminal, mas de um ato de cunho humanitário por voluntários integrantes de duas torcidas organizadas como medida educativa. Ela está sendo aplicada num período em que há maior carência de sangue nos bancos da Fundação Hemominas e menor número de doadores, devido às férias".
A Comissão de Monitoramento da Violência em Eventos Esportivos e Culturais (Comoveec) da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) ficou responsável por acompanhar as doações realizadas e entregará um relatório ao Ministério Público no prazo máximo de dez dias após o término do prazo estipulado.
Para a a superintendente de Integração e Promoção da Qualidade do Sistema de Defesa Social, Giselli Starling, a medida foi muito feliz, pois coincidiu com um período crítico no banco de sangue do Estado.
O promotor Edson Antenor Paula explicou que, no caso de descumprimento da medida alternativa acordada, será colocada em prática a original. Disse ainda que o Ministério Público, as polícias e a Comoveec estão atentos aos acontecimentos envolvendo torcidas organizadas. "Nós não admitiremos quaisquer desdobramentos em decorrência dos fatos, ainda que, em último caso, inclusive medida de extinção de torcida poderá ser requerida ao Poder Judiciário. Dessa maneira, tendo em vista a natureza violenta dos fatos ocorridos no último dia 7 de fevereiro, mostrou-se necessário que, cautelarmente, fosse aplicada medida educativa", destacou o promotor.


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