flavio tavares
Na avenida Tereza Cristina, posto pratica o mesmo preço do concorrente
Boa parte dos postos de combustíveis localizados nos principais corredores de Belo Horizonte praticam preços iguais. Em seis vias de grande movimento de carros e concentração de postos, pelo menos 22 estabelecimentos praticam preços para a gasolina coincidentes com os de concorrentes vizinhos. Para o etanol, nos mesmos corredores, foram encontrados dez estabelecimentos com preços iguais. A explicação seria a forte concorrência, já que os preços coincidentes estão todos abaixo da média praticada em Belo Horizonte.
O Hoje em Dia consultou a pesquisa de preços da ANP e percorreu as vias Pedro II, Tereza Cristina, Vilarinho, Cristiano Machado, Barão Homem de Melo e Jacuí para o levantamento. Na Avenida Tereza Cristina, conhecida pela grande disputa entre postos de combustíveis, é possível comprovar o fenômeno próximo ao número 2.000. Em uma distância de dois quilômetros, são encontrados três postos com a gasolina a R$ 2,649 e o etanol a R$ 1,99. Os valores estão abaixo da média praticada na cidade, de R$2,747 e R$ 2,151 respectivamente, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apurados entre os dias 22 e 28 de janeiro.
O posto Júpiter, que fica no número 2.990 da Avenida Tereza Cristina, é um dos três que praticam o mesmo preço. O gerente Sandro Ramos garante que não há combinação de preços entre os postos. Ele explica que o valor é estabelecido em função da concorrência. “Sempre fazemos um levantamento nas bombas dos
concorrentes”, afirma.
Na Avenida Pedro II, na região Noroeste de Belo Horizonte, pelo menos seis postos de diferentes bandeiras têm preços iguais para a gasolina e três para o etanol. Dentre eles, quatro vendem gasolina por R$ 2,666 e dois por R$ 2,697. Já o etanol custa R$ 2,077 em dois estabelecimentos distantes um quarteirão entre si.
O gerente geral do posto Kov Negócios Automotivos e Serviços Ltda, que fica na Pedro II e vende gasolina a R$ 2,666, Cleber Clésio Fonseca Oliveira, diz que “é uma luta” acompanhar o preço da concorrência. Há cerca de dois meses, o preço da gasolina era de R$ 2,79. Segundo Fonseca, ele foi “obrigado” a baixar o preço para não ficar fora da “tendência” da região e não perder vendas. Para isso, demitiu funcionários e reduziu a margem de lucros. “Quando meu concorrente abaixa o preço, eu preciso fazer muita conta para descobrir como acompanhar”, afirma.
Os motoristas que forem abastecer o veículo na Avenida Vilarinho, em Venda Nova, também não têm muita opção de escolha. Em três postos, muito próximos, a gasolina custa R$ 2,669. Essa é a mesma realidade da Cristiano Machado, onde três postos, distantes poucas quadras entre si, cobram os mesmos R$ 2,669 pelo combustível.
O presidente da comissão de defesa do consumidor e do contribuinte da Assembleia Legislativa, o deputado Délio Malheiros, explica que a coincidência de preços tem sido acompanhada por meio de pesquisa realizada pelo Procon Assembleia, porém não pode ser caracterizada como cartel.
“Cartel é um procedimento ilegal cometido por quem pratica preços combinados para lesar o consumidor. Um indício de que isso não está acontecendo é o fato dos preços estarem abaixo da média de mercado. Os preços são jogados para cima quando existe prática criminosa”, afirma.


0 comentários:
Postar um comentário
Comente sobre esta Noticia