

da Folha Online
O presidente do Siemaco (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Limpeza Urbana de São Paulo), Moacyr Pereira, afirmou neste domingo que o acúmulo de lixo na cidade de São Paulo chega a 3.000 toneladas com a greve dos funcionários do setor de limpeza urbana --catadores de lixo, garis e motoristas. Os funcionários já estão no terceiro dia de paralisação. Pereira afirmou que a categoria está cumprindo a determinação de anteontem do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) para o funcionamento de pelo menos 70% do serviço de coleta e varrição. Segundo o presidente do Siemaco, o prejuízo com a greve só não é maior porque funcionários que fazem a varrição estão sendo usados para fazer a coleta do lixo na cidade. A Secretaria Municipal de Serviços informou que, apesar de hoje não ser dia de coleta de lixo, os carros estão nas ruas trabalhando para que a situação seja normalizada até a manhã desta segunda-feira. Na zona leste, onde a concentração de lixo era maior, a coleta já está praticamente concluída, segundo a secretaria. Paralisação Os funcionários do setor entraram em greve na sexta-feira (13). A categoria tem ao menos 13 mil trabalhadores. Anteontem, de acordo com o Selur (Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo), nenhum dos 400 caminhões de coleta de lixo (domiciliar e empresarial) saiu às ruas --somente os serviços de saúde têm o lixo recolhido. Segundo o Siemaco, uma assembléia foi realizada na manhã de sexta-feira --a categoria pede 12% de reajuste e o Selur oferece 3,1%--, mas diante da falta de avanço nas negociações, os trabalhadores resolveram deflagrar a greve. "Pedimos 12%, além de lanche e protetor solar gratuitos, mas o Selur disse que não é possível atender", afirmou Moacyr Pereira. O piso salarial do varredor é de R$ 544, e do coletor, R$ 647. De acordo com Pereira, dos trabalhadores, somente 30% paralisaram as atividades na sexta. O restante tem de trabalhar para garantir a coleta de lixo aos locais de prestação de serviços ligados à saúde. O presidente do Selur, Ariovaldo Caodaglio, afirmou, por sua vez, que nenhum motorista --dos caminhões de coleta normal-- trabalhou na sexta e 50% dos garis ficaram parados. "Fizemos uma contraproposta de aplicar o índice do INPC [Índice Nacional de Preços ao Consumidor], que é melhor que a proposta anterior, além da redução da contribuição para plano de saúde, que representa 25% a menos do que eles pagam hoje. Eles não aceitaram", afirmou Caodaglio. Em março, os trabalhadores da limpeza ameaçaram uma paralisação, que foi suspensa após a retomada das negociações. Audiência de conciliação Na tarde desta segunda-feira (16) acontece uma audiência de conciliação no TRT, onde os trabalhadores e as empresas definirão as condições para a volta aos serviços. O juiz Emílio Migliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, determinou na sexta-feira que as empresas Ecourbis e Sampalimp cumpram o contrato com a Prefeitura de São Paulo e mantenham o serviço de limpeza pública do município. A Justiça determinou ainda que, se as empresas não cumprirem a liminar, terão que pagar multa diária de R$ 100 mil, cada uma. Por dia, a capital produz cerca de 13 mil toneladas de detritos, sendo 9 mil toneladas de lixo recolhidas por 370 caminhões --o restante é entulho e material para reciclagem.

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WELLINGTON VIEIRA







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